No Xingu, tribo kamayurá tem mulheres com pajés.
-Na aldeia dos kamayurá, no Xingu, a cerca de 600 km de Cuiabá, em Mato Grosso, as meninas ficam presas por anos nas malocas até se tornarem mulheres. A tradição deste povo as coloca em posições de liderança, e quando elas saem das malocas, viram guardiãs da cultura.
-Meninas permanecem dentro da maloca, uma das meninas ( Kamirrã) ficou um ano sem tomar sol. Ela passou por este processo como parte do ritual que já é tradição na aldeia e marca a passagem da infância para a vida adulta. Assim que as meninas kamayurá menstruam pela primeira vez, elas ficam reclusas. São os pais que determinam o tempo de confinamento, quando as meninas aprendem a fazer artesanato e cozinhar.
-As meninas não reclamam do destino traçado para elas. Mesmo que isso exija um pouco de sacrifício. Elas amarram tornozeleiras e joelheiras para engrossar as pernas. A franja comprida esconde o rosto e as meninas reclusas não podem cortar o cabelo até o fim do ritual. As avós cuidam delas o tempo todo e a refeição é reforçada com beiju, mingau e peixe para a menina ganhar corpo de mulher.
-Antigamente, as meninas deixavam a reclusão com casamento arranjado. Agora mudou. Elas é quem escolhem. Ao sair da maloca,as meninas tem a franja cortada e a rotina passa a ser de muito trabalho. Bem cedo, ela segue com as mulheres da aldeia para buscar água no rio. As mulheres também plantam e colhem a mandioca, base da alimentação dos kamayurá.
-Mapulu já é uma pajé respeitada não só pelos kamayurá. Ela tem ido longe pra socorrer pacientes até mesmo de outras aldeias fora do Xingu. "Paciente nunca morreu na minha mão,” diz ela, que também tem se revelado uma parteira de mão cheia.
-“Os casos em que nós trabalhamos juntos, seguramente eu devo ter feito uns 30% e ela fez os outros 70%. Um excelente parto,” revela o médico responsável pela saúde dos índios, Vitor Tarouco. A força de Mapulu é herança de família. Ela é irmã do cacique Kotok, que consegue conciliar as tradições com a modernidade. A aldeia tem placas de energia solar, antenas de TV e internet. Os indígenas se comunicam com o mundo sem perder os seus valores.

