Dedicação total ao povo indígena.
Os irmãos Villas Bôas,
indicados duas vezes ao Prêmio Nobel da Paz, receberam elogios e críticas
negativas pela atuação no Xingu. Marina e Noel, viúva e filho de Orlando, falam
sobre as anotações deixadas pelo sertanista e o projeto de criar o Instituto
Orlando Villas Bôas.
Orlando (1916-2002) e Cláudio
Villas Bôas (1918-1998) estiveram à frente da direção do Parque Indígena do
Xingu até 1975. Apesar de os irmãos terem sido reconhecidos mundialmente pelo
seu trabalho, que os levou a serem indicados por duas vezes ao Prêmio Nobel da
Paz, eles também receberam muitas críticas. Ao mesmo tempo em que os Villas
Bôas foram elogiados pela preservação dos povos indígenas e pela iniciativa de
organizar um programa de saúde pública, como vacinações e assistência médica
para os índios, que morriam de gripe, disenterias e surtos de sarampo na década
de 1950, devido ao contato com os brancos, os irmãos foram duramente criticados
por terem fornecido ferramentas e bens materiais aos índios e interferirem no
poder interno das aldeias. Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio,
instituída em 1967, em substituição ao Serviço de Proteção ao Índio – SPI),
isso teria contribuído para diminuir a produção artesanal tradicional e a
degradação da cultura indígena.
Noel Villas Boas, de 33 anos,
filho de Orlando, conta que o pai guardava seis cadernos de diários
(preservados postumamente), que começou a escrever em 1943, ano da primeira expedição
ao Xingu. Parte dessas anotações virou livros, inclusive o póstumoOrlando
Villas Bôas – expedições, reflexões e registros,
organizado por Orlando Villas Bôas Filho, em 2006.
No acervo preservado pela família
são mantidas relíquias, como correspondências entre o sertanista e o marechal
Rondon, os antropólogos Darcy Ribeiro e Claude Lévi-Strauss, e centenas de
fotos e registros. "Estamos no processo de criação do Instituto Orlando
Villas Bôas, para tornar esse material disponível ao público. Sobre a expedição
Roncador-Xingu praticamente não há material similar no Brasil, é um hiato de 20
anos na história brasileira", afirma Noel, que visita anualmente o Parque
Indígena do Xingu.
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