A expedição Roncador-Xingu teve início a partir de
Uberlândia, em Minas Gerais, e foi instituída pela Fundação Brasil Central
(FBC) durante o Estado Novo, que visava consolidar a soberania nacional ao
ligar o Brasil Central ao Amazonas. Leonardo, Cláudio e Orlando Villas Bôas
embrenharam-se nessa aventura pelas matas para auxiliar na demarcação e
formação de núcleos populacionais "brancos" enquanto fingiam-se de
sertanejos.
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Na viagem, os irmãos se defrontaram com a realidade
de um Brasil "nativo", que até então era desconhecido para eles. Os
Villas Bôas Conheceram primeiramente os índios xavantes e, ao longo dos anos,
mais outros 14 povos indígenas que representam uma das mais respeitadas
diversidades de troncos linguísticos do mundo, segundo a Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco): Aruak ou Arawak, Jê,
Karib e Tupi.
Nesse grupo estão os Kamaiurá e Kaiabi (família
Tupi-Guarani); Juruna (tronco Tupi); Aweti (tronco Tupi); Mehinako, Wauja e
Yawalapiti (família Aruak); Kalapalo, Ikpeng, Kuikuro, Matipu e Nahukwá
(família Karib); Suyá (família Jê); Trumai (língua isolada). Segundo o site Povos Indígenas no Brasil, do Instituto Socioambiental
(ISA), existem mais de 4 mil índios na região do Xingu (dados de 2002).
Em 1952, um anteprojeto de lei para a criação do
Xingu
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Quando os irmãos Villas Bôas chegaram ao norte do
Estado do Mato Grosso, os índios que habitavam a porção do Brasil Central
estavam sendo dizimados por diversas doenças, como gripes, disenterias e surtos
epidêmicos, devido à intervenção branca em suas terras desde o século XIX. Ao se
defrontarem com essa situação, os Villas Bôas decidiram iniciar uma campanha
para a preservação da população, que continuou por décadas, seguindo um modelo
protecionista.
Leonardo, Cláudio e Orlando ultrapassaram o
objetivo oficial da expedição federal. No livro A Marcha para o Oeste – A epopeia da expedição Roncador-Xingu, de autoria de Orlando e Cláudio
Villas Bôas, os irmãos descrevem que o primeiro contato do grupo de sertanistas
com índios xavantes aconteceu em 25 de julho de 1945. Segundo eles, o contexto
foi pouco amistoso, pois membros da equipe dispararam tiros para o alto, o que
causou um "esboço" de reação de ataque dos índios, mas sem vítimas.
Quanto mais adentravam pelas matas, novas etnias
iam surgindo, começando pelos índios Kalapalo, na região do rio Kuluene, um dos
afluentes do Xingu. Em março de 1948, a expedição Roncador-Xingu foi extinta
pelo governo Vargas, mas os irmãos Villas Bôas, que a essa altura já haviam
sido nomeados representantes do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) do Alto
Xingu, pelo Marechal Cândido Rondon, iniciaram uma nova empreitada na expedição
Xingu-Tapajós, quando fizeram contato com os índios Juruna.
Nessa época, o cientista ucraniano Noel Nutels
(1913-1973) juntou-se ao grupo. Ao mesmo tempo, as primeiras ideias de criação
do parque começam a ser idealizadas pelos sertanistas com ajuda do brigadeiro
Raymundo Vasconcelos Aboim (1898-1990) e do antropólogo Eduardo Galvão.
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